Mostrar mensagens com a etiqueta autor mês. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta autor mês. Mostrar todas as mensagens

27/09/11

Autor do mês - José Fanha

JOSÉ FANHA 

    José Fanha nasceu em Lisboa e licenciou-se em arquitetura. Poeta e declamador, participou em milhares de sessões de animação cultural, acompanhando o grupo dos chamados badaleiros, em que participavam José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Francisco Fanhais; Manuel Freire; José Jorge Letria; Carlos Alberto Moniz, Fausto, entre outros. É autor de histórias e poesia para a infância, dramaturgo e autor de letras para canções e textos para rádio, guionista de televisão e cinema. Tem dirigido Oficinas de Poesia e de Escrita além de desenvolver trabalho intenso de divulgação de poesia e promoção do livro e da leitura em Bibliotecas e escolas um pouco por todo o país. 
Vem descobrir os livros deste autor na nossa biblioteca! 




CONTO:        A LADEIRA
 
 
Era uma vez dois homens. Um era alto, outro baixo. Um era gordo, outro magro. Um moreno, o outro ruivo. Um tinha a voz muito grossa e outro uma borbulha na ponta do nariz. Um chamava-se Manuel Francisco e o outro Francisco Manuel. E muito mais coisas poderia dizer de cada um deles. Mas, o fundamental, é que eram muito diferentes um do outro. Só numa coisa se assemelhavam: ambos eram tremendamente teimosos.
Na terra onde viviam havia uma ladeira íngreme, inclinada, cheia de pedras e calhaus. Uma ladeira daquelas que a gente só sobe ou desce quando não pode deixar de ser.
Um dia, um dos homens ia a subir a ladeira quando o outro vinha a descê-la. Como é natural, encontraram-se a meio. Bem... A meio, a meio, exactamente a meio, não tenho a certeza se foi. Talvez tenha sido um bocadinho mais para cima ou um bocadinho mais para baixo. Para a nossa história esse pormenor não tem grande importância e, por isso, vamos fazer de conta que foi a meio.
Mais ou menos a meio da ladeira, os dois homens encontraram-se, pararam à frente um do outro e desataram a discutir. Um ia a subir e, por isso, achava que a ladeira era uma subida. O outro vinha a descer e, pelo contrário, garantia que se tratava de uma descida.
Sem chegar a acordo, sentaram-se ali mesmo no chão para tirar a questão a limpo. Quem os conhecesse, sabendo que eram homens de palavra fácil, capazes de inventar sólidas razões e grandes argumentos, logo via que aquela discussão ia demorar. E demorou.
Passaram-se sete dias e sete noites e a discussão não parava. Veio a Lua e foi-se o Sol, veio o Sol e foi-se a Lua e os dois homens a discutir. Nem o frio, nem o calor, nem a chuva, os distraiu. Continuavam na mesma. Para um, aquela ladeira era uma subida porque subia de baixo para cima. Para o outro, era uma descida porque descia de cima para baixo.
A discussão continuou e continuou.
À sétima noite começou a soprar um vento muito forte. Um vento tão forte e violento que arrancava terras, árvores e pedras e as atirava de um sítio para outro. Um vento daqueles capazes de trabalhar lentamente, séculos e séculos a fio, para mudar a face da Terra e transformar montes em covas fundas e buracos de meter medo nas mais altas montanhas.
O tempo passou. O vento mexeu com tudo. Mudou a paisagem. Transformou o mundo. Só os dois homens continuavam sentados no meio da ladeira sem darem por nada do que acontecia à sua volta. Estavam tão preocupados, cada um, em ganhar a discussão que não sentiram nem a chuva na pele, nem o frio nos ossos, nem o sol na moleirinha.
Passaram-se sete mil noites e sete mil dias, os homens a discutir e o vento a trabalhar.
A ladeira, a pouco e pouco, ia ficando diferente. A parte mais alta cada vez menos alta, e a parte mais baixa a crescer sem parar à custa de entulho, areia, calhaus e pedrinhas que a tornavam cada vez menos baixa.
Um belo dia, a parte de baixo e a parte de cima da ladeira ficaram iguais, da mesma altura e, portanto, a ladeira desapareceu. A terra ficou direitinha, lisa, uma planície que se estendia até perder de vista.
O vento, sem mais nada que fazer ali, foi trabalhar para outro lado. Os dois homens que, como eu já disse, eram muito teimosos, continuavam a discutir se a ladeira era uma subida que se descia ou uma descida que se subia.
A certa altura, olharam em volta, para um lado e para outro, até onde a vista podia alcançar. Aperceberam-se então que a ladeira tinha desaparecido. Olharam um para o outro, levantaram-se, cumprimentaram-se e, cheios de orgulho, afastaram-se cada um em sua direcção, ambos seguros de que tinham ganho a discussão.
 
 
 
José Fanha
A noite em que a noite não chegou
Porto, Campo das Letras, 2001

05/01/11

Autor do Mês - Vargas Llosa - Prémio Nobel da Literatura


Nascido em Arequipa, em 28 de março de 1936, Jorge Mario Pedro Vargas Llosa  formou-se em Letras e Direito pela Universidade Nacional Maior de São Marcos, em Lima. Antes de se tornar escritor, trabalhou como redactor de notícias na extinta Rádio Central, funcionário de biblioteca e até revisor de nomes de túmulos de cemitério, segundo biografia no seu site oficial.
Em 1959, ganhou uma bolsa de estudos e parte para uma temporada na Europa, onde se tornou doutor em Filosofia e Letras pela Universidade de Madrid, publicou o seu primeiro livro, a colectânea de contos "Os chefes" (1959), e escreveu uma peça de teatro, "La huída del Inca".                             
No mesmo ano, Llosa casou-se com a sua tia, Julia Urquidi, que era 15 anos mais velha. A experiência inspirou o livro "Tia Julia e o escrevinhador", que seria lançado em 1977. O casamento durou cinco anos e, depois do seu fracasso, casou-se com uma prima, Patrícia.
Regressou em 1964 ao Peru e daí em diante voltaria a passar temporadas em diversos países, incluindo Cuba, Grécia, França, Inglaterra e Espanha - de onde recebeu oficialmente a cidadania em 1993.
Ficção:
- El desafío (1957)
- Os Chefes (1959)
- A cidade e os cachorros (1962)
- A casa verde (1966, prémio 'Rómulo Gallegos')
- Los cachorros (1967)
- Conversa na Catedral (1969)
- Pantaleão e as Visitadoras (1973)
- Tia Julia e o Escrevedor (1977)
- A Guerra do Fim do Mundo (1981)
- História de Mayta (1984)
- Quem matou Palomino Molero? (1986)
- O falador (1987)
- Elogio da madrastra (1988)
- Lituma nos Andes (1993, Prêmio Planeta)
- Os cadernos de dom Rigoberto (1997)
- A Festa do Bode (2000)
- O Paraíso na outra esquina (2003)
- Travessuras da Menina Má (2006)
- El sueño del celta (qua será publicado em novembro)
Teatro:
- A menina de Tacna (1981)
- Kathie e o hipopótamo (1983)
- La Chunga (1986)
- El loco de los balcones (1993)
- Olhos bonitos, quadros feios (1996)
Ensaios:
- Contra viento y marea (em três volumes entre 1962 e 1990)
- García Márquez: história de um deicídio (1971)
- La orgía perpetua: Flaubert y Madame Bovary (1975)
- Entre Sartre y Camus (1981)
- La suntuosa abundancia (1984)
- A verdade das mentiras (1990)
- El pez en el agua (1993)
- Desafíos a la libertad (1994)
- La utopía arcaica (sobre José María Arguedas - 1996)
- Cartas a um jovem escritor (1997)
- A linguagem da paixão (2001)

09/03/10

Autor do Mês

António Vieira Nunes  Na tua biblioteca poderás encontrar uma exposição com vários textos deste autor nascido em Algoz.

02/10/09

Outubro é o mês Internacional das Bibliotecas Escolares


Este ano as actividades decorrem sob o tema: " School Libraries: The Big Picture".A biblioteca está a preparar algo especial para o dia 26.Fica atento. Daremos notícias!


AUTOR DO MÊS
mario cesariny